Menopausa aumenta risco de infarto? O que muda no coração

por Regina Vasconcelos

Mulher madura caminhando ao ar livre perto de um lago

Menopausa aumenta o risco de infarto? Aumenta, sim, e essa é uma das poucas vezes em que eu escrevo um artigo aqui sem tentar suavizar o dado — porque essa informação, escondida com jeitinho, não protege ninguém. O meu pai teve um infarto aos 58 anos, e foi olhando pra ele que comecei a pesquisar o que estava acontecendo comigo por dentro depois da menopausa.

A boa notícia é que, diferente de muita coisa nessa fase, esse risco tem bastante coisa que dá pra fazer a respeito — e é sobre isso que eu quero focar aqui, não só sobre o susto.

Mulher madura caminhando ao ar livre perto de um lago

Por que a menopausa mexe com o risco cardiovascular

O estrogênio faz um trabalho de proteção nos vasos sanguíneos que a gente só nota quando ele cai: ajuda a manter as artérias mais flexíveis, favorece o colesterol “bom” (HDL) e segura o colesterol “ruim” (LDL) em níveis mais baixos. Com a queda hormonal da menopausa, essa proteção diminui — e some justamente na mesma época em que pressão alta, diabetes e acúmulo de gordura na barriga ficam mais comuns. A combinação não é coincidência, é efeito somado.

Em 2024, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Febrasgo e a Sociedade Interamericana de Cardiologia publicaram, juntas, a primeira diretriz brasileira sobre saúde cardiovascular no climatério e na menopausa, reconhecendo esse período como de risco cardiovascular aumentado pra mulher — com mais hipertensão, diabetes, colesterol alterado e gordura visceral do que antes da menopausa. Não é alarmismo de blog de saúde, é posição oficial de cardiologista.

O infarto na mulher nem sempre avisa do jeito clássico

Isso também me assustou quando descobri: o “aperto forte no peito, dor no braço esquerdo” que a gente vê em filme é o padrão masculino. Em mulheres, os sinais costumam ser mais discretos e mais fáceis de confundir com outra coisa — cansaço fora do comum, falta de ar, enjoo, dor nas costas ou na mandíbula, suor frio. Justamente por isso, muita mulher demora mais pra procurar ajuda, achando que é só cansaço ou ansiedade.

O que realmente muda o risco, na prática

Nenhuma novidade revolucionária aqui, e é isso que eu mais gosto de repetir: o que protege o coração nessa fase é o mesmo básico de sempre, só que agora vale mais a pena levar a sério. Caminhada regular — já expliquei o porquê em exercício e massa muscular na menopausa —, alimentação com menos ultraprocessado (tem mais detalhe em alimentação na menopausa), parar de fumar se for o caso, e acompanhamento médico regular pra pegar pressão alta e colesterol alterado cedo, antes de virarem problema maior.

Mulher madura correndo em um parque

E a reposição hormonal, ajuda ou atrapalha o coração?

Essa é a parte mais nuançada, e onde eu recomendo mais cautela com qualquer resposta simples demais. A diretriz de 2024 aponta que começar a terapia hormonal dentro dos primeiros 10 anos após a menopausa, ou antes dos 60 anos, tende a ser seguro do ponto de vista cardiovascular — mas ela não é recomendada com o objetivo específico de prevenir doença cardiovascular em mulher sem sintoma, e não é indicada pra quem já teve infarto ou AVC. Já escrevi com mais detalhe sobre essa decisão em reposição hormonal na menopausa — é conversa pra ter com a ginecologista, olhando seu caso específico, não decisão que dá pra tomar sozinha lendo um artigo.

Perguntas frequentes

Toda mulher tem mais risco de infarto depois da menopausa?
O risco médio aumenta pra população de mulheres na menopausa, mas o risco individual depende de outros fatores — pressão, colesterol, peso, tabagismo, histórico familiar. Vale conversar com seu médico sobre o seu risco específico, não só o risco geral da fase.

Fazer reposição hormonal reduz o risco de infarto?
Não é recomendada com esse objetivo específico de prevenção cardiovascular em mulher sem sintoma. Quando indicada por outros motivos (sintomas vasomotores, por exemplo), iniciada cedo e sem contraindicação, tende a ser segura pro coração — mas isso é avaliação individual com a ginecologista.

Quais sinais de alerta eu deveria levar a sério?
Falta de ar incomum, cansaço muito fora do padrão, dor no peito, nas costas ou na mandíbula, suor frio e enjoo sem causa aparente merecem avaliação médica, principalmente se aparecerem juntos ou do nada.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Sintomas que possam indicar problema cardíaco merecem avaliação médica imediata — não espere a consulta de rotina.

Foto de Regina Vasconcelos

Escrito por Regina Vasconcelos

Professora aposentada, 53 anos, vivendo a pós-menopausa e escrevendo sobre o que aprendeu no caminho — sem jaleco, com experiência real. Conheça a história completa →