Reposição hormonal na menopausa: o que é, benefícios e riscos (informativo)

por Regina Vasconcelos

Terapia de reposição hormonal, ou TRH, é o uso de estrogênio (às vezes combinado com progesterona) pra repor o que o corpo deixa de produzir na menopausa, aliviando sintomas como fogachos, insônia e ressecamento vaginal. Não é indicada nem contraindicada pra todo mundo igual — é uma decisão que se toma junto com a ginecologista, olhando pro seu histórico de saúde específico, não uma regra geral que sirva pra todas as mulheres.

Esse é, sem dúvida, o assunto que mais recebo pergunta por e-mail e nos comentários — e também o que eu mais hesito em escrever, porque sei o peso que tem. Não vou te dizer se você deve ou não deve fazer. Vou te contar o que entendi conversando com a Dra. Patrícia e lendo sobre o assunto, pra você chegar mais preparada na sua própria consulta.

Mulher em consulta médica conversando com a ginecologista

Os tipos principais

Existe a TRH sistêmica — comprimido, adesivo ou gel, que age no corpo todo e ajuda com fogachos, insônia relacionada aos sintomas vasomotores e proteção óssea (inclusive em versão bioidêntica, tema que também já expliquei em outro artigo) — e existe o estrogênio local, em creme, óvulo ou anel vaginal, com absorção bem menor, voltado principalmente pro ressecamento vaginal que já detalhei em outro artigo. São indicações e perfis de risco diferentes, e às vezes uma mulher usa só o local, sem nunca precisar do sistêmico.

O que a ciência mostra sobre benefícios

Pra alívio de fogacho e suor noturno, a TRH é o tratamento mais eficaz que existe hoje, segundo o consenso médico atual — mais eficaz que qualquer fitoterápico que já mencionei aqui no blog. Também tem papel comprovado na proteção da densidade óssea, reduzindo risco de fratura. Iniciada dentro de uma janela de tempo próxima ao início da menopausa — geralmente até os 60 anos ou dez anos após a última menstruação —, o perfil de segurança cardiovascular também costuma ser mais favorável do que se iniciada mais tarde.

O que a ciência mostra sobre riscos

Os riscos existem e variam conforme o tipo de hormônio, a dose, a via de administração e o histórico pessoal — principalmente risco de trombose, e, em alguns perfis, risco de câncer de mama, que costuma ser o medo número um que ouço das leitoras. É exatamente por isso que essa não é uma decisão de prateleira de farmácia: histórico familiar de câncer de mama, de trombose, de doença cardiovascular, tudo isso muda a equação de risco e benefício pra cada mulher individualmente.

Não existe resposta genérica de “vale a pena ou não”. Existe a sua situação específica, discutida com quem tem acesso ao seu exame e ao seu histórico.

Mulher madura refletindo, olhando pela janela

Perguntas que valem a pena levar pra consulta

“No meu histórico, o benefício supera o risco?” “Qual via de administração seria mais indicada pra mim?” “Por quanto tempo costuma ser recomendado o uso?” “Quais exames preciso fazer antes de começar?” Levar essas perguntas anotadas ajuda a aproveitar melhor os poucos minutos de consulta — eu mesma comecei a fazer isso depois de sair de um atendimento e lembrar de três coisas que esqueci de perguntar.

Com que frequência voltar à consulta depois de tudo isso? Respondi com mais detalhe em de quanto em quanto tempo ir ao ginecologista depois da menopausa.

Perguntas frequentes

Sangramento durante a TRH é normal?
Pode acontecer, principalmente nos primeiros meses, enquanto o corpo se ajusta à dose. Ainda assim, todo sangramento nesse contexto deve ser informado pra ginecologista que acompanha o tratamento — expliquei com mais detalhe no artigo sobre sangramento depois da menopausa.

TRH engorda?
Não há evidência consistente de que a TRH em si cause ganho de peso; o ganho de peso na menopausa tem outras causas hormonais e metabólicas, que já detalhei no artigo sobre menopausa e peso.

Quem tem histórico de câncer de mama pode fazer TRH?
Geralmente é contraindicação, mas isso é avaliação médica individual — existem situações e exceções que só a sua médica, com seu histórico completo, pode avaliar.

TRH é pra sempre?
Não necessariamente. A duração do uso é definida caso a caso, reavaliada periodicamente com a médica, considerando sintomas, idade e fatores de risco ao longo do tempo.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. A decisão sobre reposição hormonal deve ser sempre feita com acompanhamento de ginecologista, considerando seu histórico de saúde individual.

Foto de Regina Vasconcelos

Escrito por Regina Vasconcelos

Professora aposentada, 53 anos, vivendo a pós-menopausa e escrevendo sobre o que aprendeu no caminho — sem jaleco, com experiência real. Conheça a história completa →