Saúde óssea na menopausa: por que o risco de osteoporose sobe e o que ajuda

por Regina Vasconcelos

A queda de estrogênio na menopausa acelera a perda de densidade óssea, principalmente nos primeiros anos após a última menstruação — é por isso que o risco de osteoporose sobe justamente nessa fase, mesmo em mulheres que nunca tiveram problema nenhum de osso antes. A boa notícia é que dá pra agir: cálcio, vitamina D, exercício de força e, quando necessário, exame e acompanhamento médico específico fazem diferença real.

Eu só passei a levar isso a sério depois que fiz minha primeira densitometria óssea, aos 52, e o resultado veio “osteopenia leve” — não é osteoporose, mas é o estágio antes dela. Fiquei com um susto besta, confesso, porque eu sempre me achei “forte”, nunca quebrei nada, e aquele papel com número baixo mexeu comigo mais do que eu esperava.

Mulher madura caminhando ao ar livre em dia ensolarado

Por que o osso perde densidade nessa fase

O estrogênio ajuda a regular o processo constante de renovação óssea — o corpo está sempre quebrando osso velho e formando osso novo, e o hormônio mantém esse equilíbrio. Quando ele cai, a quebra passa a acontecer mais rápido do que a formação, e o resultado é perda progressiva de densidade, principalmente nos primeiros cinco a dez anos após a menopausa. Depois disso, o ritmo de perda desacelera, mas o estrago acumulado nesse período inicial é o que mais pesa lá na frente.

O exame que eu recomendo perguntar sobre

Densitometria óssea é o exame padrão pra avaliar isso, geralmente recomendado a partir dos 65 anos pra mulheres sem fator de risco, mas antes disso se houver histórico familiar de osteoporose, menopausa precoce, ou outros fatores de risco — foi o caso da minha mãe, que teve fratura de quadril aos 68, que fez a Dra. Patrícia pedir o meu exame mais cedo. Vale perguntar à sua ginecologista se faz sentido adiantar no seu caso.

O que ajuda, de forma prática

Cálcio pela alimentação — leite e derivados, vegetais verde-escuros, sardinha com espinha — e vitamina D, que vem principalmente do sol, com exposição de uns 15 a 20 minutos por dia sem protetor, em horário de sol mais fraco, e de alimentos como ovo e peixe gordo. Já falei sobre esses dois nutrientes no artigo sobre alimentação. Exercício de impacto controlado e treino de força, que detalhei no artigo sobre exercício e massa muscular, também estimulam diretamente a formação óssea — os dois artigos se conectam, não é coincidência.

Mulher servindo um copo de leite, fonte de cálcio

Parar de fumar e moderar álcool também entram na lista, porque os dois prejudicam diretamente a saúde óssea, além de tudo mais que já prejudicam. E sim, suplemento de cálcio e vitamina D existe e às vezes é necessário — mas isso é dosagem que se define com exame de sangue, não é “quanto mais melhor” por conta própria. A reposição hormonal também tem papel comprovado na proteção óssea, mas essa é uma decisão médica à parte, que detalhei em outro artigo.

O osso não é a única coisa que fica mais vulnerável nessa fase — o coração também merece atenção redobrada. Detalhei essa outra ponta em menopausa e risco cardiovascular.

Se você chegou até aqui pensando em começar a tomar cálcio ou vitamina D, vale ler antes o que as diretrizes brasileiras realmente recomendam, e o que elas dizem sobre risco: reuni isso em suplemento para menopausa.

Perguntas frequentes

Toda mulher na menopausa desenvolve osteoporose?
Não, mas o risco aumenta pra todas. Fatores como histórico familiar, menopausa precoce e sedentarismo aumentam ainda mais esse risco individual.

Com que idade devo fazer a primeira densitometria?
A recomendação padrão é a partir dos 65 anos, mas antes disso se houver fator de risco. Vale perguntar à sua ginecologista o que faz sentido pro seu caso.

Osteopenia sempre vira osteoporose?
Não necessariamente. Com mudança de hábitos e, se necessário, tratamento adequado, é possível estabilizar ou até melhorar a densidade óssea.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Converse com sua médica sobre quando fazer densitometria óssea e quais exames são adequados pro seu histórico.

Foto de Regina Vasconcelos

Escrito por Regina Vasconcelos

Professora aposentada, 53 anos, vivendo a pós-menopausa e escrevendo sobre o que aprendeu no caminho — sem jaleco, com experiência real. Conheça a história completa →