Relacionamento e sexualidade na menopausa: conversar é o que mais ajuda

por Regina Vasconcelos

A menopausa mexe com o relacionamento de formas que vão muito além da queda de libido — irritabilidade, insônia, mudança de humor e de autoimagem afetam a convivência do dia a dia, e o parceiro, quando não entende o que está acontecendo, muitas vezes reage mal a sintomas que não são culpa de ninguém. Conversar sobre isso abertamente, em vez de esperar que o outro adivinhe, foi a mudança que mais ajudou no meu casamento nessa fase.

Teve uma noite, lá pelos 48 anos, em que brigamos feio por causa de uma louça na pia — já contei um pedaço dessa história na página Quem é a Regina. Só que a louça não era o problema de verdade. Eu estava exausta, irritada sem motivo aparente, e o Carlos não fazia ideia do que estava acontecendo comigo, porque eu também não fazia. A gente brigou por semana sobre coisa pequena até eu finalmente sentar e explicar o que a ginecologista tinha me falado.

Casal maduro rindo juntos em casa, momento leve

Explicar o que está acontecendo, em vez de esperar adivinhação

Parece óbvio escrito assim, mas na prática é difícil, porque a gente mesma demora a entender o que está sentindo, quanto mais explicar pro outro. Eu descobri que funciona melhor nomear o sintoma na hora, curto e direto — “isso é fogacho, não é briga com você” — em vez de deixar acumular e explodir depois. Meu marido não tem obrigação de saber o que é climatério se ninguém contar. E, sendo justa, a maioria dos homens da geração dele nunca ouviu falar no assunto de verdade.

Mudança na intimidade, sem culpa

Já falei em detalhe sobre queda de libido e sobre ressecamento vaginal em outros artigos — os dois afetam diretamente a vida a dois, e sozinhos já bastam pra esfriar as coisas se ninguém falar sobre isso abertamente. O que ajudou aqui em casa foi tirar a pressão de “ter que ser como antes” e criar espaço pra experimentar de outro jeito: mais tempo, mais lubrificante, menos pressa, e sim, às vezes simplesmente não rolar nada e tudo bem.

Autoimagem também pesa nessa equação. Ganho de peso, calor do fogacho na hora errada, suor de madrugada — nada disso ajuda a se sentir desejável, e é normal que isso mexa com a autoestima antes mesmo de mexer com o desejo em si.

Casal maduro compartilhando momento na cozinha de casa

Quando vale buscar ajuda profissional

Se a dificuldade persiste mesmo depois de resolver as causas físicas — ressecamento tratado, sono melhor, humor mais estável — e o assunto continua sendo fonte de tensão no casal, terapia sexual ou terapia de casal são caminhos válidos, não sinal de fracasso nenhum. Nós nunca chegamos a precisar, mas conheço amigas que foram e falam bem, principalmente quando a questão envolve mágoa acumulada de anos, não só o sintoma físico do momento.

Perguntas frequentes

É normal o relacionamento sofrer na menopausa?
É comum, sim, por causa da soma de sintomas físicos e emocionais. Não significa que o relacionamento está condenado — significa que precisa de mais comunicação nessa fase específica.

Como explicar os sintomas pro parceiro sem parecer que estou me desculpando o tempo todo?
Nomear o sintoma no momento, de forma direta e sem longas justificativas, costuma funcionar melhor do que uma explicação grande depois. “Isso é climatério” já ajuda mais do que parece.

Terapia de casal é só pra quem está em crise grave?
Não. Muitos casais procuram terapia de forma preventiva, pra melhorar comunicação antes que pequenos atritos virem ressentimento acumulado.


Este conteúdo é informativo e reflete experiência pessoal, não substitui orientação médica ou terapêutica profissional. Se sintomas físicos ou emocionais persistirem, procure acompanhamento especializado.

Foto de Regina Vasconcelos

Escrito por Regina Vasconcelos

Professora aposentada, 53 anos, vivendo a pós-menopausa e escrevendo sobre o que aprendeu no caminho — sem jaleco, com experiência real. Conheça a história completa →