Perimenopausa tomando anticoncepcional: como saber se já começou

por Regina Vasconcelos

Cartelas de anticoncepcional vistas de perto

Tem um grupo grande de mulheres que fica de fora de quase tudo que se escreve sobre menopausa, e é um grupo que eu demorei a enxergar: quem toma anticoncepcional, quem usa DIU e quem não tem mais útero.

O motivo é simples e meio cruel. Todo texto sobre perimenopausa usa a menstruação como bússola: ciclo irregular, atraso, sangramento diferente. Só que essas mulheres não têm essa bússola. O método esconde o ciclo, ou o ciclo simplesmente não existe mais. E aí a pergunta “como eu vou saber?” fica sem resposta.

Perimenopausa tomando anticoncepcional: como saber se já começou

A pílula combinada te dá um sangramento de pausa, aquele da cartela de descanso, e ele não é menstruação de verdade. É uma resposta à queda do hormônio da cartela. Por isso ele continua aparecendo certinho mesmo quando os seus ovários já mudaram bastante de comportamento.

Traduzindo: você pode estar na perimenopausa há anos e continuar sangrando todo mês, no mesmo dia, sem nenhuma pista.

Se a menstruação não serve de sinal, sobra o resto do corpo. Calor que aparece na semana de pausa e some quando a cartela recomeça é uma pista clássica e muito comentada em consultório. Sono que piorou sem motivo, humor mais curto, ressecamento íntimo, dor nas juntas de manhã, memória escorregando no meio da frase. Nenhum desses fecha diagnóstico sozinho, mas o conjunto conta uma história.

Cartelas de anticoncepcional vistas de perto

Posso fazer exame de menopausa tomando anticoncepcional?

Essa pergunta aparece muito, e a resposta é o ponto mais importante deste artigo: o exame de FSH feito enquanto você usa pílula combinada é pouco confiável, porque o próprio remédio suprime esse hormônio. O resultado pode dizer “normal” com a sua fisiologia já bem mudada.

Isso deixa muita mulher numa situação frustrante, saindo do laboratório com um papel que não explica nada. Existem caminhos que a ginecologista pode propor, incluindo pausar o método por um período para avaliar, mas isso envolve contracepção e precisa ser combinado, não improvisado. Por favor não pare a pílula por conta própria para “testar”: dá para engravidar na perimenopausa, e eu escrevi sobre isso em dá para engravidar na perimenopausa.

Vale lembrar de uma coisa que já escrevi em outro artigo e que vale aqui em dobro: o diagnóstico de perimenopausa é clínico, feito de história e sintoma, não de um número no papel. Quem usa método hormonal só tem esse fato mais escancarado. Desenvolvi isso em por que não existe exame único de perimenopausa.

Mulher na casa dos 50 anos pensativa na cozinha, com o celular na mão

Perimenopausa usando DIU

Aqui a situação muda conforme o tipo de DIU, e vale saber qual é o seu.

O DIU hormonal costuma deixar a menstruação bem mais escassa, e em parte das usuárias ela some de vez. Nesse caso o raciocínio é parecido com o da pílula: a ausência de sangramento não conta nada sobre a sua fase, porque ela é efeito do dispositivo.

Já o DIU de cobre não mexe nos seus hormônios. Quem usa cobre continua com o próprio ciclo e, portanto, continua com a bússola funcionando: se o intervalo começou a encurtar, se veio duas vezes no mês, se sumiu por três meses e voltou, isso é informação de verdade. É a mesma leitura que vale para quem não usa método nenhum, e eu destrinchei os padrões em menstruação irregular na perimenopausa.

Menopausa e perimenopausa para quem não tem útero

Quem passou por histerectomia mas manteve os ovários continua tendo ciclo hormonal, só não tem mais o sangramento que o anunciava. Os ovários seguem trabalhando e seguem desacelerando no tempo deles.

Ou seja, a menopausa acontece, só que sem a data. E como a definição oficial é “doze meses sem menstruar”, ela simplesmente não se aplica. O acompanhamento passa a ser pelo sintoma e, aí sim, a dosagem hormonal tende a ser mais útil do que em quem usa pílula, porque não tem remédio suprimindo o resultado.

Quando os ovários também foram retirados, a história é bem diferente: a queda hormonal é abrupta, não gradual, e os sintomas costumam aparecer rápido e com força. Esse caso pede acompanhamento próprio, principalmente pelo cuidado com osso e coração a longo prazo, e não é assunto para se resolver lendo blog. Escrevi sobre o cuidado ósseo em saúde óssea na menopausa.

Até quando continuar com o anticoncepcional

Essa é uma decisão médica e depende de idade, de tipo de método e principalmente de fator de risco. Dois pesam bastante na conversa: fumar e ter enxaqueca com aura mudam bastante a indicação de pílula combinada depois dos 35 anos. Se você se encaixa em algum dos dois e continua na mesma cartela há anos sem revisar, essa é uma conversa para marcar.

O que eu aprendi, e que vale mais que qualquer dica: quem usa método hormonal precisa contar isso logo no começo da consulta sobre menopausa. Parece óbvio, e mesmo assim eu já ouvi de amiga que passou a consulta inteira falando de calor e só mencionou o DIU na porta, na hora de sair.

Perguntas frequentes

Como saber se estou na perimenopausa tomando anticoncepcional?
Pelo resto do corpo, porque o sangramento da pausa não é menstruação de verdade e continua aparecendo mesmo com os ovários já mudados. Calor que aparece na semana de pausa, sono pior, humor mais curto, ressecamento íntimo e dor nas juntas formam o conjunto que conta a história. Nenhum fecha diagnóstico sozinho.

Posso fazer exame de menopausa tomando anticoncepcional?
Pode fazer, mas o FSH é pouco confiável nessa situação, porque a pílula combinada suprime justamente esse hormônio. O resultado pode vir normal sem significar nada. Converse com a ginecologista sobre o caminho no seu caso, e não pare o método por conta própria para testar.

Perimenopausa usando DIU: dá para perceber?
Depende do tipo. Com DIU hormonal a menstruação costuma ficar escassa ou sumir, então ela deixa de servir como sinal. Com DIU de cobre o seu ciclo continua o seu, e as mudanças de padrão continuam valendo como informação.

Quem não tem útero entra na menopausa?
Entra, se os ovários foram mantidos, só que sem a data, porque a definição oficial depende de doze meses sem menstruar. O acompanhamento passa a ser pelo sintoma, e a dosagem hormonal tende a ser mais útil aqui do que em quem usa pílula.

Dá para engravidar na perimenopausa usando anticoncepcional?
O método continua fazendo o trabalho dele. O ponto é o contrário: quem para o método por conta própria achando que já não precisa mais pode engravidar, porque a fertilidade cai mas não zera antes dos doze meses sem menstruar.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Decisões sobre método contraceptivo, exames e terapia hormonal são individuais. Converse com sua ginecologista antes de mudar qualquer coisa.

Foto de Regina Vasconcelos

Escrito por Regina Vasconcelos

Professora aposentada, 53 anos, vivendo a pós-menopausa e escrevendo sobre o que aprendeu no caminho, sem jaleco, com experiência real. Conheça a história completa →