Pele na menopausa: por que muda tão rápido e o que ajuda de verdade

por Regina Vasconcelos

Mulher madura observando a propria pele diante do espelho

A pele muda rápido na menopausa por um motivo específico: segundo a Academia Americana de Dermatologia, a pele da mulher perde cerca de 30% do colágeno nos primeiros cinco anos de menopausa e depois cerca de 2% ao ano pelas duas décadas seguintes. Não é impressão sua, e não é falta de cuidado. É a queda do estrogênio mexendo com a estrutura que sustenta a pele, com a produção de óleo natural e com a capacidade de reter água.

O que me fez encarar isso não foi o espelho, foi uma foto. Casamento da filha de uma amiga, eu de vestido azul, sorrindo, e uma sombra embaixo do queixo que eu não reconheci. Cheguei em casa, procurei uma foto de três anos antes e coloquei as duas lado a lado na tela do computador. A diferença não estava nas rugas, estava no contorno. Alguma coisa tinha soltado.

Passei uns dias mal com aquilo, confesso. Depois fui atrás de entender, que é o que eu sei fazer, e descobri que existe uma explicação bem concreta e uma lista curta de coisas que ajudam de verdade, ao lado de uma indústria enorme vendendo coisas que não ajudam.

Mulher madura observando a propria pele diante do espelho

O que exatamente acontece na pele

A Academia Americana de Dermatologia descreve quatro mudanças principais, e o interessante é que elas explicam sintomas que a gente costuma atribuir a coisas totalmente diferentes.

A primeira é a perda de firmeza. Conforme o colágeno diminui, a pele perde sustentação e começa a ceder, e é aí que aparece a flacidez na linha do maxilar, aquilo que eu vi na foto e não soube nomear.

A segunda é o ressecamento. Na menopausa a pele perde parte da capacidade de reter água, e pode ficar bem seca. Isso explica a sensação de repuxar depois do banho e o fato de o creme que você usou a vida inteira de repente parecer que não faz mais nada. Ele não mudou. A pele mudou.

A terceira pega muita gente de surpresa: acne. Com a queda dos hormônios femininos antes e durante a menopausa, algumas mulheres desenvolvem uma acne parecida com a da adolescência. Aos 50. É cruel e é real.

E a quarta são os pelos que aparecem onde não apareciam: embaixo do queixo e ao longo da linha do maxilar, também por conta da queda dos hormônios femininos. Esse é do tipo que ninguém comenta em roda de amigas, mas que quase toda mulher dessa idade conhece de perto.

O que a dermatologia recomenda de fato

A lista da Academia Americana de Dermatologia é curta e não é cara, o que me deixou aliviada e um pouco irritada, considerando quanto dinheiro eu já tinha gastado antes de ler.

Sobre ingredientes, a orientação é considerar um produto que contenha retinol ou peptídeos, porque são ativos capazes de aumentar o colágeno da pele. Sobre hidratação, aplicar hidratante depois do banho e ao longo do dia sempre que a pele estiver seca, dando preferência a fórmulas com ácido hialurônico ou glicerina.

Duas observações minhas, de quem testou. Retinol pede paciência e cautela: começar em dias alternados, à noite, e não misturar com outros ativos fortes na mesma semana, sob risco de descamar a cara inteira. E protetor solar não é vaidade nessa fase, é o que impede que o pouco colágeno que sobrou seja degradado mais rápido ainda. Se você só puder fazer uma coisa desta lista, faça essa.

Maos abrindo um pote de creme facial

E o colágeno em pó, funciona?

Essa é a pergunta que eu mais recebo, e eu vou responder com a honestidade que eu gostaria de ter recebido.

Quando fui procurar evidência sobre colágeno oral especificamente para pele de mulher na menopausa, o que encontrei foram estudos pequenos, com desenhos variados, muitos financiados por fabricantes, e resultados que não permitem uma afirmação firme. Isso não é o mesmo que dizer “não funciona”. É dizer que a base de evidência ainda não sustenta a promessa que o rótulo faz, e que a diferença entre uma coisa e outra é justamente o que a propaganda apaga.

Repare também numa coisa: a recomendação da própria Academia Americana de Dermatologia para pele na menopausa fala de retinol, peptídeos, hidratante e proteção solar. Colágeno em cápsula ou em pó não está nessa lista. Isso não é prova de nada sozinho, mas é um sinal de onde está o consenso hoje.

Se você já toma e sente que faz bem, eu não sou ninguém pra dizer o contrário. Só não troque o protetor solar por ele.

A pele do corpo também muda, e ninguém avisa

Todo mundo fala de rosto. Mas a mesma perda de capacidade de reter água e a mesma queda na produção de óleo natural acontecem da cabeça aos pés, e no corpo elas costumam se manifestar de um jeito diferente: coceira.

No meu caso começou pelas canelas, no inverno, e eu levei um tempo achando que era o sabonete. Troquei de sabonete três vezes antes de entender que o problema não era o que eu estava passando, era o que a minha pele tinha deixado de fazer. Braços, costas e canelas são as regiões que mais reclamam, e piora com banho quente e demorado, que é exatamente o que a gente mais quer tomar quando está com frio.

As medidas que funcionaram foram sem graça e baratas: banho mais morno e mais curto, hidratante no corpo ainda com a pele úmida logo depois do banho, e sabonete menos agressivo. A orientação da dermatologia de aplicar hidratante depois do banho vale para o corpo tanto quanto para o rosto.

Vale dizer também que coceira persistente e generalizada não é sempre pele seca. Tireoide, fígado, remédio novo e alergia entram na lista de causas possíveis, e é por isso que coceira que não melhora com hidratação merece consulta em vez de mais um creme. Falei sobre a confusão frequente entre menopausa e tireoide em menopausa ou tireoide.

O que ajuda de dentro pra fora

Aqui a resposta é menos glamourosa e mais chata, que costuma ser o sinal de que é verdade. Sono ruim aparece na pele, e insônia é praticamente moradora fixa dessa fase. Alimentação com proteína suficiente importa, porque colágeno é proteína e o corpo precisa de matéria-prima. Cigarro acelera tudo o que estamos tentando frear.

Escrevi sobre alimentação na menopausa e sobre sono nessa fase em textos próprios, porque os dois assuntos são grandes demais pra caber aqui de passagem. E se junto com a pele você notou o cabelo caindo mais, o que é comum acontecer no mesmo período e pela mesma causa hormonal, tem um artigo específico sobre queda de cabelo na menopausa.

Uma última coisa, que talvez seja a mais importante do texto todo. Eu passei um tempo tratando aquela foto do casamento como um problema a ser resolvido. Hoje eu entendo melhor: parte daquilo era menopausa e tinha o que fazer, e parte era eu com 50 anos em vez de 47, e isso não é defeito. A linha entre cuidar da pele e brigar com a própria idade é fina, e eu já pisei nos dois lados dela.

Perguntas frequentes

Quanto colágeno a pele perde na menopausa?
Segundo a Academia Americana de Dermatologia, cerca de 30% nos primeiros cinco anos de menopausa. Depois desse período a queda fica mais gradual, em torno de 2% ao ano durante os 20 anos seguintes.

Por que meu hidratante de sempre parou de funcionar?
Porque a pele mudou, não o produto. Na menopausa a pele perde parte da capacidade de reter água e produz menos óleo natural, então uma fórmula que bastava antes pode ficar insuficiente. A orientação da dermatologia é buscar hidratantes com ácido hialurônico ou glicerina e reaplicar ao longo do dia.

Acne na menopausa existe mesmo?
Existe. A Academia Americana de Dermatologia registra que, com a queda dos hormônios femininos antes e durante a menopausa, algumas mulheres desenvolvem acne parecida com a da adolescência. Se for o seu caso, vale consulta com dermatologista, porque o tratamento da acne adulta feminina tem particularidades.

Reposição hormonal melhora a pele?
Mudanças na pele não são, sozinhas, indicação para terapia hormonal. Essa é uma decisão médica individual, tomada considerando o conjunto dos seus sintomas e do seu histórico, e não deve ser buscada por motivo estético isolado.

Vale a pena começar retinol depois dos 50?
O retinol está entre os ativos citados pela dermatologia como capazes de aumentar o colágeno da pele, e não existe idade limite para começar. O cuidado é com a introdução: começar devagar, à noite, e usar protetor solar todos os dias, porque a pele fica mais sensível à luz.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta com dermatologista. Mudanças persistentes na pele, lesões que não cicatrizam ou pintas que mudaram de aspecto precisam de avaliação médica.

Foto de Regina Vasconcelos

Escrito por Regina Vasconcelos

Professora aposentada, 53 anos, vivendo a pós-menopausa e escrevendo sobre o que aprendeu no caminho, sem jaleco, com experiência real. Conheça a história completa →