Menopausa aumenta o colesterol? Por que isso acontece

por Regina Vasconcelos

Mulher madura cozinhando em uma cozinha aconchegante

Menopausa aumenta o colesterol? No meu caso, aumentou — e eu não mudei absolutamente nada na alimentação entre um exame e outro. Foi um dos resultados que mais me surpreendeu nessa fase, porque eu sempre tive colesterol dentro da faixa normal, sem esforço nenhum. De repente, o LDL tinha subido, e eu fiquei encarando aquele número sem entender de onde ele tinha vindo.

A explicação, quando fui atrás dela, fazia todo sentido — e mudou a forma como eu penso nos meus exames de rotina desde então.

Mulher madura cozinhando em uma cozinha aconchegante

Por que o colesterol sobe justo nessa fase

O estrogênio ajuda a manter o equilíbrio entre os dois tipos de colesterol: sustenta o HDL (o “bom”, que ajuda a limpar as artérias) e segura o LDL (o “ruim”, que se acumula nelas) em níveis mais baixos. Com a queda hormonal da menopausa, essa ajuda desaparece, e é comum o LDL subir mesmo sem mudança nenhuma de hábito — foi exatamente o que aconteceu comigo.

Tem outros fatores que se somam a isso: a tendência de acumular gordura na região da barriga, que já expliquei em menopausa e ganho de peso, está ligada a colesterol e triglicerídeos mais altos. E o próprio corpo fica mais resistente à insulina nessa fase, o que também empurra o colesterol pra cima. É colesterol, peso e açúcar puxando juntos na mesma direção, não um problema isolado.

Por que isso importa além do número no papel

Colesterol alto sozinho não dói, não incomoda, não dá sintoma — o problema é o que ele vai construindo devagar dentro das artérias, ao longo dos anos. A diretriz brasileira de 2024 sobre saúde cardiovascular no climatério e na menopausa, feita pela Sociedade Brasileira de Cardiologia junto com a Febrasgo, reconhece a dislipidemia (nome técnico pra colesterol e triglicerídeos alterados) como um dos fatores que mais aumentam nessa fase — e detalhei mais sobre a ligação entre menopausa e coração em menopausa e risco cardiovascular.

Mulher madura preparando uma refeicao no fogao

O que eu de fato mudei depois desse resultado

Não foi nada radical, e não virei essa pessoa que fala de macronutriente toda hora. Troquei parte da gordura saturada por azeite e oleaginosas, aumentei fibra (aveia, feijão, verdura) — detalhei isso com mais calma em alimentação na menopausa —, e comecei a caminhar com mais regularidade, não pra emagrecer, mas porque exercício aeróbico tem efeito direto sobre o HDL. Três exames depois, o LDL já tinha voltado pra faixa que eu estava acostumada.

Quando só mudar hábito não é suficiente

Nem sempre dieta e exercício resolvem sozinhos, e não tem nenhum demérito nisso — parte da tendência é genética e hormonal, não escolha de estilo de vida. Se o colesterol continuar alto mesmo com hábito ajustado, ou se o risco cardiovascular geral for considerado alto pelo médico, entra estatina ou outro medicamento na conversa. Essa decisão é clínica, individual, e não deveria ser adiada por vergonha de “precisar de remédio” — é exatamente o tipo de remédio que evita problema sério lá na frente.

Perguntas frequentes

Colesterol alto na menopausa sempre precisa de remédio?
Não sempre. Muitas vezes mudança de alimentação, atividade física regular e acompanhamento do peso já trazem os níveis de volta ao normal. Remédio entra quando isso não é suficiente ou quando o risco cardiovascular geral pede tratamento mais direto.

Com que frequência devo checar o colesterol depois da menopausa?
Costuma entrar nos exames de sangue de rotina anual, junto com triglicerídeos, função renal e tireoide — já falei mais sobre essa consulta padrão em de quanto em quanto tempo ir ao ginecologista depois da menopausa.

Reposição hormonal ajuda a baixar o colesterol?
Pode ter algum efeito favorável no perfil lipídico em alguns casos, mas não é indicada com esse objetivo específico. A decisão sobre reposição hormonal deve considerar o quadro completo, não só o colesterol isolado.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Alterações no colesterol devem ser acompanhadas e tratadas junto com seu médico, considerando seu risco cardiovascular individual.

Foto de Regina Vasconcelos

Escrito por Regina Vasconcelos

Professora aposentada, 53 anos, vivendo a pós-menopausa e escrevendo sobre o que aprendeu no caminho — sem jaleco, com experiência real. Conheça a história completa →